A tecnologia têxtil e a questão ambiental
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Antes mesmo de pensarmos em moda, ou seja, no ciclo de variações do design do vestuário - como forma, cor, textura, entre outros - devemos pensar que para a existência de tais produtos, como calças, camisetas e sapatos, houve o emprego de uma tecnologia, aqui chamada genericamente de tecnologia têxtil.

A tecnologia têxtil está intimamente ligada a uma outra área do conhecimento, a ecologia industrial, que é um campo de pesquisa que visa minimizar e otimizar os processos industriais, gerando menos resíduos, gastando menos energia e fazendo com a natureza sinta menos os impactos da modernidade.

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Para se ter uma idéia dos problemas causados pela insustentabilidade e pelo consumo inconsciente de produtos industriais, a profa. Cássia Ugaya, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR, nos dá um exemplo muito claro no que tange a geração de resíduos: para uma blusa feminina (considerando seu ciclo de vida, ou seja, do momento em que é manufaturada ao momento em que é descartada, onde usa-se o termo “do berço ao túmulo”), 81% dos resíduos totais produzidos estão relacionados à manutenção daquela peça de roupa (utilização de sabão em pó, descarte da embalagem do sabão, utilização da máquina de lavar, utilização do ferro de passar, etc), e 19% dos resíduos produzidos estão relacionados à sua manufatura (extração da matéria-prima, utilização de energia para a produção do artigo, embalagens, etc).

 
 

Ainda no exemplo da blusa feminina: se pensarmos no ciclo de vida da blusa (desde a extração da matéria-prima, manufatura, utilização do artigo e sua posterior manutenção durante determinada época), estaremos utilizando conceitos relacionados com a ACV – Avaliação do Ciclo de Vida. “A avaliação inclui o ciclo de vida completo do produto, processo ou atividade, ou seja, a extração e o processamento de matérias-primas, a fabricação, o transporte e a distribuição; o uso, o reemprego, a manutenção; a reciclagem, a reutilização e a disposição final.” (Guidelines for life-cycle assessment: a “code of pratice”; Setac, Bruxelas, 1993).

A ACV está alicerçada em 3 bases primárias: o meio ambiente (de onde é extraída a matéria-prima), a economia (unir o ecologicamente correto com ganhos financeiros) e social (oferecer recursos e ferramentas dignas de trabalho para quem está na indústria). Logo, não é aceito pelos ecologistas e estudiosos da área que uma empresa tenha uma produção industrial sustentável, mas que para isso se utilize de mão-de-obra escrava ou desumana, como é o caso de muitas confecções e seus empregados bolivianos. A ISO (International Organization for Standardization) é o órgão que certifica produtos ambientalmente corretos com o selo verde ISO 14.001.