Novas formas de ser dos homens e das mulheres: observando comportamentos pelos objetos
x
x

Os desfiles das semanas de moda ao redor do mundo são excelentes fontes de informação e espelhos para o mercado. No entanto, para pensar o comportamento do consumidor é necessário tecer uma teia relacionando o que acontece nas passarelas e nas lojas das poderosas grifes ao que acontece no mundo. É um exercício de percepção de intersecções constante e muito revelador, e que auxilia na criatividade tanto de designers, quanto de gestores e empreendedores.

x

Uma das maiores empresas de pesquisa em comportamento e consumo, a WGSN, apresenta seus prognósticos na mesma época em que acontecem as semanas de moda, e é interessante ver como as informações se conectam e, assim, manter nossos olhos atentos. Um bom exemplo de macrotendência proposta para 2012/2013 que já pode ser observada em diversas formas de expressão cultural foi denominado “Radical Neutrality”. Em resumo, trata-se de sinais em que se observa uma vontade de voltar para o que é essencial ao ser humano e diluir oposições.

Oposições estas como o masculino – feminino: as barreiras entre o que é coisa de “macho” ou de “mulherzinha” estão se tornando mais fluidas, e isto transparece no design e na estética. De forma alguma sugere o fim das diversidades entre os gêneros, mas sim, uma maior liberdade para a construção da personalidade, o que implica novos comportamentos de consumo e de vestir. Estamos caminhando para uma liberdade cada vez maior de sermos sensíveis ou práticos, delicados ou agressivos, independente do gênero, uma conseqüência direta da maior divisão de espaços entre homens e mulheres, tanto na vida profissional, social, quanto familiar.

x
 

E como isso já foi observado? Na grande aceitação dos modelos de sapatos Oxford, que vai ganhando variações para mesclar o ar masculino com detalhes femininos mais caricatos; na calças jeans “boyfriend” e na recente “ex-girlfriend”, lançada pela Levi’s, uma calça com modelagem ajustada como as femininas, mas voltada ao público masculino; e nos modelos Andrej Pejic e Lea T, que apesar da androginia e transexualidade, respectivamente, e de parecem exemplos muito extremos, são celebrados por estilistas, produtores e público. Tudo sem ameaças à identidade, sempre em busca de novas possibilidades de ser, se expressar e claro, consumir.

x
 
Fotos Divulgação